AT94

Discursos e Mensagens

DISCURSOS

COLÉGIO NAVAL - 1988 a 1990

A Fragata 1990 - Mensagem do Comandante de Operações Navais

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    Após três anos de estudos e sacrifícios, vocês venceram a primeira etapa da empolgante carreira naval. Adquiriram o vocabulário dos marinheiros e aprenderam um pouco das suas tradições e costumes. A direita virou boreste, a esquerda bombordo e ao invés de soltar a âncora, agora sabem que o navio larga o ferro. Estudaram também, disciplinas básicas necessárias a uma sólida formação técnica, essencial para operar e conservar os equipamentos cada vez mais complexos de uma Marinha moderna.
    Todo esse aprendizado porém, representará muito pouco se não for acompanhado de uma perfeita compreensão das responsabilidades de que foram investidos quando escolheram servir à Marinha e ao Brasil.
    Como Aspirantes esmerem-se por desenvolver desde cedo sua capacidade intelectual e liderança, o profissionalismo e a competência, qualidades fundamentais do futuro bom oficial.
    E finalmente, quando mais tarde prestarem juramento à Bandeira, façam-no com convicção, acreditando no importante papel da Marinha no contexto de um Brasil grande e poderoso.
    Bons ventos e mares tranquilos.

JOSÉ DO CABO TEIXEIRA DE CARVALHO
Almirante de Esquadra
Comandante de Operações Navais

A Fragata 1990 - Comandante do Colégio Naval

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    Passaram-se 3 anos. Ficais certos de que, em muitos aspectos, terão sido os anos mais importantes de vossas vidas. Foram os anos das primeiras conquistas individuais, de transformações de espíritos, de encontro das melhores amizades e do nascimento do sentimento de turma que irá sempre acompanhar-vos.
    O Colégio Naval foi a primeira etapa da formação de vossa mentalidade voltada para as lides marinheiras. Mais do que isso, aqui começou um longo aprendizado dirigido ao culto de exemplos e tradições que forjarão vosso espírito no sentido mais profundo de amor à Pátria e à Marinha. Tendes a mente sempre aberta a esses valores, pois são fundamentos indispensáveis à vossa formação como Oficiais de Marinha.
    Sou testemunha de vosso êxito. Ide, portanto, confiantes para a Escola Naval, próxima etapa dessa bela caminhada, rumo ao oficialato.
    Boa Sorte, sede felizes.

ODILON LUIS WOLLSTEIN
Capitão de Mar e Guerra
Comandante

A Fragata 1990 - Despedidas

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    A TURMA 88
    Fevereiro, 1988. Chegamos de todas as partes do Brasil, repletos de diferenças e dúvidas. Viemos sem saber onde estávamos, quem éramos, quem seríamos.
    Então, num eterno verão, encontrávamo-nos no Colégio Naval.
    Angra dos Reis, um lugar comum, cheio de nada, longe de tudo, mas de incrível beleza.
    Precisávamos nos adaptar a uma forma de vida totalmente diferente da que vínhamos vivendo até ali.
    Foi muito difícil mudarmos nossos valores, nossos conceitos, nossas ideias, dividirmos nosso espaço, nossa privacidade.
    E o tempo foi passando, impiedoso.
    O tempo. Três anos repletos de imagens que jamais esqueceremos. Amizades não foram tudo. Fizemo-nos irmãos.
    Apoio e incentivo mútuos e recíprocos, soubemos atravessar todos os problemas e crises que iam aparecendo dia após dia, alvorada após outra. Unidos, fomos fortes. Unidos, mudamos um pouco nosso Colégio.
    Nossa Turma conseguiu ser uma turma de transição, uma turma que deixou algumas rugas na história deste Estabelecimento. Fomos uma turma que moveu tradições, mudou dimensões e sobreviveu.
    A unidade que formamos nunca se deixou destruir. Éramos consciência. Em qualquer lugar, qualquer situação, andamos juntos.
    Ainda assim. Muitos de nós foram se perdendo na caminhada. Outros seguiram por outros caminhos. Houve quem não fosse a lugar nenhum. De qualquer forma, continuam presentes entre nós. Isso porque somos homogêneos e nossa homogeneidade nasce da heterogeneidade de nossas mentes.
    Nosso curso terminou.
    Novembro, 1990. Nossas memórias, filmes das nossas vidas, carregadas de entrelinhas e parênteses comuns. Partilha, Nossa Família vive e se renova.
    A Família 88, Turma 88.

ANDRÉ LUIZ FERREIRA BELTRÃO

Formatura do 3° Ano - Ordem de Serviço do Comandante do Colégio Naval

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Incluir o texto da Ordem de Serviço aqui.

15 anos de Entrada no Colégio - Discurso do Orador

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    Me lembro bem de uma manhã de Segunda-feira, no calor daquele fevereiro, em que chegamos pela primeira vez a este pátio. Nós, garotos, ao atravessarmos estes portões de ferro ao som da banda, começamos a nos transformar em homens. Tudo era novidade: Sim senhor; não senhor; bom dia senhor; rancho; fila do rancho; sétimo tempo; GDP; jacuba; delta; victor; bizuleu; porração; serviço... Impossível também esquecer o cheiro de desodorante AXE e sabonete Phebo.
    O tempo foi passando, nós crescendo e descobrindo a vida. Ganhamos de presente uma liberdade que não suspeitávamos. Sim, éramos livres e invencíveis, e assim faríamos o mundo à nossa feição. Éramos muito jovens. Nesta enseada nos tornamos irmãos, mais que amigos. Estas salas de aula, corredores e alojamentos nos deram uma nova família, da qual sempre faremos parte.
    O tempo passou, deixamos Baptista das Neves, mas ela nunca nos deixou. Novos irmãos se incorporaram à família, enquanto outros seguiram atrás de seus sonhos fora da Marinha. Todos conhecemos o mundo, cada um à sua maneira.
    Hoje, quinze anos depois, nos reencontramos neste mesmo pátio. Nos reencontramos com amigos, com lembranças e conosco mesmos. Apesar de tudo, continuamos jovens, e o seremos para sempre. Sempre Alunos.
    Como costuma dizer o nosso chefe-de-classe, Marcos André, que não pôde comparecer por estar servindo fora-de-sede, e a quem me permito representar, agradecemos a Deus, que nos trouxe até aqui, e à Marinha, que nos proporciona estes momentos felizes, mas façamos isto à moda dos alunos: Ao Colégio Naval tudo ou nada!?

EMERSON AUGUSTO SERAFIM

20 anos de Entrada no Colégio - Discurso do Orador

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    Prezados Amigos da Turma Almirante Wandenkolk,
    Houve um dia nas vidas de todos nós em que escutamos falar sobre um Colégio. Um Colégio onde a qualidade do ensino se classificava entre as melhores do país; Onde havia hierarquia e disciplina; onde os meninos tornavam-se homens responsáveis, pois eram militares. Mais que isso, eram marinheiros, na acepção mais ampla da palavra, aquela que reside no ideário popular desde tempos imemoriais, a dos destemidos, astutos, sedutores e felizes homens do mar!
    Foi assim que, mergulhados num sonho adolescente, e após o tremendo esforço que precede as grandes conquistas, dobramos a curva da Costeirinha que nos mostrou a fachada deste prédio que teria, como até hoje tem, um papel fundamental nas nossas vidas! Estar aqui nesta enseada é mergulhar num túnel do tempo, que contém lembranças tão coletivas e, ao mesmo tempo, tão particulares.
    Fomos uma geração de privilegiados, pois vivemos livres os dias de internato neste Colégio, dias de transformações no mundo e no país, que nos alcançavam apenas nos finais de semana e em breves momentos televisivos no salão de recreio dos alunos: Caía o muro de Berlim, votamos pra presidente, fizemos festas, fomos a bailes, competimos entre nós e entre outros, estudamos e muito, mesmo quem achava que não estudava tanto assim... Crescemos e amadurecemos nestas salas de aula, alojamentos e alamedas, entre paradas, "sétimo-tempos" , audiências, testes, provas, serviços, lances, golpes, mais audiências, mais testes, mais provas, saídas de externo (de passagens, cartas ou "bizuleus"), aventuras em Angra (algumas lícitas e outras nem tanto), mais audiências, viagens nos especiais (com toda gama de "diversões" incluídas no pacote) e mais uma longa lista de eventos que fizeram os três anos que aqui passamos parecerem três meses.
    Nesta enseada recebemos um nome: Turma Almirante Wandenkolk e, enquanto em Villegagnon ganhamos novos companheiros, muitos companheiros ganhavam o mundo! Entre inúmeras idas e vindas, percalços e conquistas, estamos hoje de regresso, e é como se voltássemos das férias de meio de ano, trazendo outras muitas histórias pra contar. Trazemos também nossas famílias, pais, esposas, filhos e filhas... Trazemos nossas conquistas carreiras afora e trazemos a certeza de que, se um dia fomos "A Esperança da Classe", cada vez mais nos tornamos a realidade do país, estejamos onde estejamos, exercitando o maior legado com o qual nos brindou o CN: Somos cidadãos Brasileiros, com "B" maiúsculo, entusiastas do país em que cremos e amamos, mesmo que seja de longe.
    Como sempre na Turma, há os atrasados e os que chegam antes em qualquer formatura. E, para o Grande Reunir que nos espera e que é a única certeza da vida, alguns queridos amigos já estão no pátio interno: Ademi, Romeiro, Renato Augusto, Azevedo, Sother, Estácio e Amorim... Podem ficar "a vontade", que o "sentido" ainda demorará a tocar. A vocês, nosso abraço amigo e a eterna saudade! Mas já tocou o primeiro sinal de aula, e o OSCA já está vindo, é melhor entrarmos logo, senão a licença de sexta vai ser só no sábado... No outro sábado!
    Parabéns Turma Eduardo Wandenkolk – CN 88, GM 94!

EMERSON AUGUSTO SERAFIM

25 anos de Entrada no Colégio - Discurso do Orador

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    Agradecemos a presença do Comte e do Imto do CN. A atitude dos Srs, de deixar o conforto de vossos lares para nos acompanhar neste momento, não só abrilhanta esta cerimônia, como confere consideração e prestígio à nossa turma.
    Agradecemos aos nossos familiares aqui presentes. Certo de que muitos dos senhores e senhoras estavam, ONDE TUDO COMEÇOU, em frente à OCM, em uma determinada manhã de FEV DE 1988, deixando seus filhos aos cuidados da Marinha do Brasil. Podemos dizer que aquela primeira viagem Rio x Angra foi a Gestação da nossa turma. Gestação rápida essa, cerca de duas horas e meia. E aí nascemos como turma, ao adentrarmos pela primeira vez, os portões deste colégio. Nesse dia, tivemos uma efusiva recepção por parte de nossos adaptadores, aqueles que nos mostraram como dar os primeiros passos nessa grande e complexa instituição que é a Marinha do Brasil.
    Inicia-se aí, a materialização do sonho de mais de 220 jovens, repletos de energia e esperança. Esse sonho era compartilhado e vivenciado a cada dia pelos seus pais, avós, irmãos, tios e tias.
    Começamos então a plantar aqui, os primeiros alicerces para a edificação dessa turma que hoje é reconhecida por sua união e homogeneidade.
    Rapidamente fomos nos conhecendo, pois precisávamos de apoio mútuo. Daí, aprendemos cedo que o melhor substrato das dificuldades é a união. E este ensinamento, nós carregamos até hoje.
    Outra coisa fascinante que este Colégio nos apresentou foi uma enorme oferta de atividades esportivas e culturais que estavam à nossa disposição. Fomos divididos e selecionados em diversas equipes e grêmios. Começávamos a nos desenvolver nas chamadas atividades extra-classe. Às vezes eu ficava impressionado, como que um garoto de 18 anos, que mal tinha tirado sua carteira de habilitação pegava um veleiro para navegar até a Ilha Grande, Ilha da Gipóia e até mesmo à cidade de Paraty. Mas isso, juntamente com as saídas-tipos nos Avisos de Instrução, serviu para despertar a nossa maritimidade e o nosso sentimento marinheiro.
    O colégio Naval nos proporcionou inúmeras aprendizagens. O que transcende, os ensinamentos dos bancos escolares. Elas contribuíram, em adição aos nossos valores familiares, para moldar desde cedo, o caráter dos homens que hoje somos.
    Aqui passamos 3 longos e frutíferos anos de nossas vidas. Tenho certeza que neste momento, paira em nossas mentes, um sem número de estórias aqui vivenciadas. Tenho certeza também de que circulam em nossas mentes um turbilhão de lembranças ao revermos cada pedaço deste colégio e cada rosto amigo aqui presente.
    25 anos se passaram. As marcas impressas em nossos rostos, os nossos cabelos brancos ou até mesmo a falta deles, não conseguem apagar de nossa memória tudo aquilo que juntos vivemos aqui. As atividades que se seguirão a esta singela cerimônia testificarão isso, pois não tenho dúvidas de que seremos tomados de agradáveis recordações ao circularmos pelo nosso Colégio Naval.
    É muito fácil percebermos que a nossa turma goza de uma forte união e camaradagem. É notório, o nosso orgulho de pertencermos a ela. Por isso meus amigos, eu humildemente peço, que mantenhamos sempre aquecida, essa chama que em 1988, aqui foi acesa. Muito Obrigado.

GLEIBER BANUS BARBOZA

ESCOLA NAVAL - 1991 a 1994

Cerimônia da Batalha Naval do Riachuelo e Entrega dos Espadins - Ordem de Serviço do Comandante da Escola Naval

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    Hoje reverenciamos a memória dos heróis de Riachuelo que, com patriotismo e bravura, deixaram seus nomes imortalizados da história de nossa Pátria.
    Já se foram 126 anos e esta data tem sido, desde então, preservada pela nossa Marinha para que seja rendido um justo tributo àqueles bravos marinheiros que, com denodo, contribuíram para manter as nossas fronteiras, escrevendo com sangue uma das páginas mais significativas de nossa vida nacional.
    Jovens Aspirantes do Primeiro Ano! Não é mera coincidência que seu juramento é prestado nesse dia. A lembrança daquela batalha, exemplifica de maneira contundente, que o compromisso que em breve irão pronunciar, não são palavras formais num texto frio e sem sentido, mas, pelo contrário, traduzem um significado maior de dedicação total à Pátria, entregando-se a ela com toda vontade do nosso ser, com tudo que possuímos, inclusive oferecendo a nossa maior riqueza, a própria vida, como fizeram no passado, naquelas águas distantes, os heróis de Riachuelo.
    Ao atravessarem os umbrais desta Escola, vocês o fizeram por vontade própria, por serem cidadãos livres para escolherem o seu próprio destino. Fizeram na esperança de abraçar uma carreira nobre, rica em oportunidades, em que todos ascendem pelos seus méritos pessoais, mas, que também, envolve uma dose natural de sacrifícios.
    Vocês são preparados nesta Escola para serem chefes e, consequentemente, líderes. O caminho que irão trilhar, além de difícil, exigirá sempre muito de vocês, porém o prêmio final será a vitória de terem atingido a plena capacidade de conduzir homens, não somente porque lhe será outorgada a patente de Oficial, mas também porque terão de conseguir o respeito de seus subordinados pela competência profissional, pelo conhecimento marinheiro, pelo entusiasmo à Marinha e, de forma particular, pelo exemplo que deverão demonstrar. Não se consegue ser líder pregando o que não se pratica.
    Desde já, vocês começarão a desenvolver muitas virtudes, elas não são instruídas nos livros acadêmicos, mas nos foram ensinadas e herdadas dos nossos antepassados, dentre eles o seu insigne patrono, Almirante EDUARDO WANDENKOLK, tão merecidamente lembrado por vocês. Procurem a lealdade sem a conivência com a mediocridade, a bravura sem arrogância, a dedicação sem ambições pessoais e a cordialidade sem transigir nos princípios. Acima de tudo não se deixem levar pelo modismo, aceitando normas e procedimentos que não condizem com a ética militar e com o caráter dos homens de bem. Não são as massas que levam as nações aos seus destinos gloriosos, mas a vontade férrea de poucos obstinados em atingir, com perseverança os objetivos maiores da nacionalidade. Não se incomodem ficar em minorias, desde que seus atos e opiniões sejam estruturados no sentido do dever e do interesse do Brasil. Já dizia ABRAHAM LINCOLN “A sombra da derrota não nos impede que lutemos por uma causa que nos pareça ser justa”.
    Aspirantes do Primeiro Ano! Vocês hoje estão recebendo o espadim, símbolo de uma Escola centenária, rica em tradições e serviços prestados. Difícil tem sido a vereda por onde até hoje passaram. Com auxílio de seus pais e mestres atingiram o primeiro degrau de uma carreira extraordinária, que os levará a serem os Oficiais que conduzirão os destinos da Marinha no início do terceiro milênio. Sejam dignos de toda esta herança, procurando viver à Marinha a cada instante, a cada momento, com todo amor de seus corações.
    Sejam felizes!

JOSÉ ALBERTO ACCIOLY FRAGELLI
Contra-Almirante
Comandante da Escola Naval

Almoço dos 100 dias - Discurso do Orador

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    Estamos muito perto agora... e o que nos diferencia das outras Turmas que nos precederam, comemorando os mesmos 100 dias, é que nós somos a 94. O tempo nos mostra (vocês lembram?) os dias passados nessa Ilha: a nossa Adaptação, o nosso Espadim, a nossa opção de Corpo, os nossos embarques, campos e estágios... a nossa vida em Villegagnon. Faltam 100 dias!
    Restam 100 dias para a declaração de GM e, cada vez que pensamos nisso, reagimos diferentemente. Alguns acham que o “10 de dezembro” está longe (bem longe deste almoço de hoje), outros, numa ansiedade plena, tecem milimétricos planos que só um Aspirante, com sua fértil imaginação de sala de aula, poderia conceber e, ainda há outros que, numa antevisão, vislumbram-se nas fainas de Segundo-Tenente.
    Sim, nós estamos vivendo os últimos dias no Corpo de Aspirantes e, Senhor Almirante, senhores Oficiais, mestres, padrinhos, estamos querendo dar, reparem, os primeiros passos nesta carreira de Oficial de Marinha. Incentivem-nos ainda mais, a cada um de nós, diferentes que somos, a enveredarmo-nos, confiantes, na profissional trajetória de um homem que guia homens, de um homem que mexe com armamentos, instrumentos e cifras, de nós, homens, que queremos crescer mais e mais.
    Somos a Turma de um período peculiar na história deste país. E, nessa gestação de quatro anos para o Oficialato, deparamo-nos com as transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas fora da imaculada Villegagnon.
    É certo: que (ou o que) nos espera lá fora exige cidadãos capazes de integrar a força de trabalho deste Brasil. Cidadãos, adverte-se, que possam manter, ou quem sabe melhorar, a situação de nossa economia mundial. Cidadãos que, não desconhecendo a penúria de 32 milhões de outros cidadãos, saibam desenvolver tecnologias, fazer-se presentes nos exercícios de guerra, representar a nação em outros povos... Cidadãos e, mais uma vez, bons cidadãos que não se desvencilhem do compromisso militar de DEFENDER À PÁTRIA. E quando ou como se defende à Pátria? A pergunta, bem em voga, tem simples resposta: encerrando o compromisso de incorruptibilidade, trabalho e serenidade. Não foi isto que aprendemos aqui? Não foram estas as premissas de nosso curso? Que seja feito, então, desta maneira, 94!
    O Brasil, creiamos nós, já não precisa de discursos – precisa de pessoas que façam o seu trabalho diuturnamente... e o façam bem feito. Calemo-nos um pouco e preguemos pelo exemplo.
    O retorno financeiro avalia-se, muitas vezes, como sendo pouco, mas, nem por isso, a desesperança ou a negligência devem pairar sobre nossas cabeças – afinal, somos jovens, logo, essencialmente esperançosos.
    Sabemos, aqui, o que há por fazer, mas, como fazer, aprendemos longe daqui. Muito mais teórico do que prático, descortinou-se o nosso curso, moldando-nos para atingirmos, de maneira apropriada, os navios, batalhões e depósitos. À Escola Naval, que propiciou esses conhecimentos adquiridos, fica mais do que o nosso agradecimento, porque não se agradece à casa que se tem como morada, somente quando se é visita, e VISITA, LITERALMENTE, nós NÃO o fomos... À Escola Naval ficam, sim, os nossos pedidos a Deus, para que a mantenha como o imaculado berço dos OFICIAIS DE MARINHA.
    Nunca esqueceremos, como marcas indeléveis que foram, os momentos em turma passados aqui e esperamos regressar muitas vezes a esta Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Villegagnon... NÓS, os 189 Aspirantes da TURMA 94.

ANDRÉ MARCUS BLOWER
Orador da Turma

Almoço dos 100 dias - Discurso do Paraninfo

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    Sinto-me honrado em ter sido escolhido, por vocês, seu paraninfo. Direi que fiquei mesmo emocionado quando soube que, através do sistema democrático de eleição, fui eu aquele que recebeu de vocês esta grande distinção.
    A homenagem que ora vocês me prestam leva-me a dizer-lhes algumas palavras que, espero, reflitam, de certa forma, o ideário de meu longo magistério na Escola Naval.
    Meu discurso não poderia deixar de ser uma declaração de princípios. Estes princípios, vocês já os conhecem, de longa data. Vocês sabem o quanto eu os prezo e tanto que por eles me tenho empenhado.

NUNCA ESQUEÇAM DE HONRAR A VERDADE CONSTITUCIONAL.
    Utilizem sua autoridade de futuros comandantes, com todo seu denodo, para preservar o Estado Democrático, para assegurar o exercício, pelos cidadãos brasileiros, de seus direitos sociais e individuais. Garantam-lhes, com sua inteligência, seu saber e sua perseverança os direitos inalienáveis à vida, à honra, à igualdade perante à lei, à segurança, à propriedade, à justiça; pois estes são, sem dúvida, os valores supremos de uma sociedade que pretenda ser fraterna, fundamentada na harmonia social e comprometida com a paz mundial.

VELEM, PERMANENTEMENTE, PELA DEFESA DE LIBERDADE E DA LEGALIDADE EM NOSSO PAÍS.
    A liberdade e, como diz Rui, “a primeira das necessidades, o primeiro dos bens, a mais segura das garantias”.

NUNCA DESPREZEM A JUSTIÇA, NEM TAMPOUCO A CORTEJEM.
    Não permitam que se troquem a legalidade pela violência, nem a ordem pela anarquia. Não fujam à defesa das causas impopulares ou perigosas quando elas forem justas. Sejam imparciais em seus comandos. Quando necessário, sirvam com altivez aos poderosos e com caridade àqueles que forem mais fracos.

NÃO TERGIVERSEM EM INSURGIR-SE CONTRA O MAL.
    Não hesitem em usar sua juventude, sua energia e sua autoridade contra os que são maus, porque, como diz Rui Barbosa, “o ódio ao mal é o amor do bem, e a ira contra o mal é entusiasmo divino”.
    Já dizia p Padre Manuel Bernardes que “bem pode haver ira, sem haver pecado. A virtude está em reprimir a ira quando ela é desordenada, e excitá-la quando convém, pois nem toda ira é maldade. Se, às vezes, ela agride e causa danos, em muitas outras vezes, ela é oportuna e necessária”.

RECONHEÇAM SEUS ERROS E, COM URGÊNCIA, CORRIJAM-NOS, NINGUÉM É INFALÍVEL.
    Errar é humano, porém não reconhecer o erro, por vaidade, conveniência ou o que quer que seja, é algo de nefasto. O melhor é procurar evitar o erro. Mas, se errar, muito pior será tentar justificar o erro, muito melhor será remediá-lo.
    Façam-se respeitar pela sabedoria, pela inteligência, pela superioridade intelectual, nunca pela truculência.

ABOMINEM E PUNAM, SEVERAMENTE, O RACISMO.
    Não permitam, nunca, que por razões de raça, alguém tenha qualquer tipo de privilégio sobre quem quer que seja. Lembrem-se: somos nós, os brasileiros, orgulhosamente, uma raça mestiça.

ORGULHEM-SE DO UNIFORME QUE USAM, DO UNIFORME DA MARINHA DO BRASIL.
    Lembrem-se de que, sem vocês, não há defesa dos mares, não há segurança na navegação, não é possível o comércio marítimo com o exterior.
    Orgulhem-se, por devotar sua juventude e sua vida a um ideal pelo qual vale a pena morrer: o Brasil!
    Voltando a Rui Barbosa, mestre dos mestres, prezados futuros Guardas-Marinha, tenho a lhes repetir: “A Pátria não é ninguém. Não é uma pessoa, por mais bem intencionada que seja. Somos nós todos. E cada qual tem, no seio da Pátria, o mesmo direito à palavra, a associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos, o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.
    Amem a Pátria brasileira, porque aqui estamos nós, os Professores da Escola Naval, aqui estamos, por amor ao nosso belo e venturoso país, O BRASIL.

PROFESSOR MÁRIO LUCIO BÔAVISTA
Paraninfo

A Galera 1994 - Mensagem do Comandante do Corpo de Aspirantes

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    Quatro anos de preparação para a vida naval caracterizam esta Escola como o berço onde nascem os Oficiais que governam, no rumo certo, nossa Marinha. E é nela onde o sonho, ao passar por um processo de saudável ansiedade, se concretiza quando dela se despedem sob forte emoção, pela felicidade de terem alcançado seu objetivo.
    Neste momento estão prontos.
    Não vivam na ilusão de que só encontrarão pela frente dias fáceis, pois estarão, constantemente, sendo submetidos a desafios.
    Não deixem que dificuldades e barreiras com as quais venham a se deparar reduzam seu ânimo, pois superando-as com energia e perseverança, suas vitórias serão alcançadas com muito sabor.
    Boa sorte, Turma Almirante Wandenkolk.
    A Marinha os espera.
    Bons Ventos e mares tranquilos.

ANTÔNIO JOSÉ GOMES QUEIROZ
Capitão de Mar e Guerra
Comandante do Corpo de Aspirantes

A Galera 1994 - Despedidas

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    TURMA 94
    Hoje, nós, Turma 94, somos jovens: não temos sensibilidade para avaliarmos o tempo que passa e faz da vida um sopro. Não temos profundidade humana para percebermos o valor incomensurável da amizade; não temos vivência suficiente para vermos, para entendermos, para sermos nós mesmos plenamente, alcançando a realização pessoal, familiar e profissional.
    Mas hoje somos jovens... temos um mundo pela frente; temos um livro de páginas brancas para escrevermos a nossa história.
    Do pouco que já escrevemos, podemos nos orgulhar: trabalhamos com energia, com determinação, com consciência do que estávamos fazendo e do porquê; tivemos respeito por todos os componentes da nossa Turma e respeito pelos demais Aspirantes com que trabalhamos; fomos leais a nossos superiores, professores e subordinados; procuramos, a todo momento, valorizar as pessoas que estavam sob nosso comando, desenvolvendo um espírito profissional, sério e alegre, com a certeza de que, agindo dessa forma, estávamos crescendo a nossa Escola, a Marinha e o Brasil.
    Em relação ao que falta escrever, não podemos nunca perder a humildade: pouco fizemos, se formos observar tudo o que recebemos.
    O nosso caminho apenas começa. E será difícil, por vezes solitário. Mas, onde quer que estejamos servindo no futuro, podemos sempre refletir: temos irmãos na 94!
    Obrigado, Turma 94, por tudo que aprendi nesses quatro anos de Villegagnon.

MARCOS ANDRÉ SILVA ARAÚJO
Chefe de Classe

Declaração de Guardas-Marinha e Entrega das Espadas - Ordem de Serviço do Comandante da Escola Naval

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    Meus Guardas-Marinha da Turma “Almirante Wandenkolk”.
    Com muita alegria, assim os chamo pela primeira vez.
    Estamos imersos em mar de olhos felizes, orgulhosos, contentes, emocionados e confiantes.
    É indisfarçável a justificada felicidade que vocês exalam por haverem concluído, nesta Escola, uma singradura longa e, por vezes, penosa. Mas foi o rumo que escolheram para concretizar um sonho embalado faz muito tempo. E ei-lo, hoje, realizado.
    Pais, mães, madrinhas, parentes e amigos contemplam-nos com orgulho, mostrando ter valido a pena resignarem-se com a entrecortada convivência doméstica, em troca de os verem no limiar de uma carreira cheia de sacrifícios, é verdade, contudo sumamente nobre porque se resume na defesa da Pátria, na defesa, a qualquer custo, de nossa soberania no mar.
    Mas há outros que, contentes, compartilham essa justa vitória. São todos os tripulantes de Villegagnon, sejam civis ou militares, para quem vocês representam a mais grata recompensa deste ano.
    Na verdade, esta cerimônia é motivo de júbilo para toda a Marinha. A presença do nosso Ministro – Almirante-de-Esquadra IVAN DA SILVEIRA SERPA – é a prova inconteste da transcendência de seu significado e que muito honra a todos nós.
    Os diversos Almirantes – entre esses o Ministro de Estado Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o Chefe do Estado-Maior da Armada -, altas autoridades civis e militares, Oficiais e numerosos convidados que aqui se encontram revelam, também, a solene importância deste dia.
    Registro, ainda, a presença de um grupo de Oficiais da Marinha, não mais no Serviço Ativo, que, acolhendo o convite, vieram incorporados, dispostos a avivar emoções guardadas durante cinquenta anos, quando, nesse mesmo campo, receberam as espadas, em cerimônia idêntica à de hoje.
    Daqui a pouco, as madrinhas trocarão suas platinas pelas de Guarda-Marinha. Platinas não são dádiva nem concessão. Materializam o reconhecimento pelo triunfo conquistado. Mas não é só isto. Os galões sempre chegam, também, impregnados de crescentes responsabilidades. Assim será na carreira de cada um. Façam jus a elas.
    Almirantes paraninfos lhes farão a entrega de espadas. Espadas de Oficial da Marinha. Exatamente iguais às usadas por Tamandaré e Saldanha. Elas representam as virtudes militares e navais. Honrem-nas durante toda a vida.
    É certo que, no indispensável regime de internato, Villegagnon lhes tenha tolhido um pouco a liberdade. Mas é certo, também, que lhes serviu de refúgio e de berço de amizades fecundas e intensamente vividas na mais bela época da juventude. Esses amigos permanecerão no tempo. Por isso, as muralhas de nossa Fortaleza não lhes tardarão a ser uma saudade de pedra.
    O “Adeus à Escola”, apesar de tantas vezes ensaiado, provocará em muitos de vocês – e, posso lhes dizer, em muitos de nós, também – aquela constrição na garganta, uma espécie de volta de fiador nas cordas vocais. A explicação é simples: dizem que, em algum recanto do coração, temos sempre vinte anos. Não hesitaria em afirmar que nós – Marinheiros -, nesse recanto, jamais deixamos de ser “Sentinelas dos Mares”.
    O Oficial de Marinha deve ser harmoniosa composição de técnico, militar, marinheiro e líder.
    Faz cem dias, estávamos todos almoçando juntos, quando lhes garanti ser esse último período nada mais que uma vigília de um navio a chegar ao porto. E assim foi: cem dias duraram apenas uma noite.
    Entretanto, o navio, mal atraca ao cais, logo inicia a preparação para novamente suspender. O mesmo acontecerá com vocês. Cada viagem representa novo período de aprendizado. O aperfeiçoamento é uma constante na vida do marinheiro.
    Jamais abandonem os livros. O conhecimento profissional e a cultura são poderosas armas com que sempre deverão contar. Elas são a mãe da autoconfiança.
    Cultivem o civismo. Sejam intransigentes na disciplina – um dos pilares da nossa instituição. Mantenham vivas as palavras do nosso Juramento, sobretudo as últimas. Somente no ambiente militar, homens livres sacrificam suas vidas por uma fé e se dispõem a sofrer e morrer pelo direito de evitar um grande erro.
    Amem a Marinha. Entreguem-se a ela. Reverenciem seu passado glorioso. Acreditem na sua nobre missão. Preservem nossos costumes e tradições.
    Pelo exemplo, conduzam seus subordinados. Defendam-nos das injustiças. Esforcem-se para que eles os sigam não só movidos pela disciplina, mas, principalmente, pelo entusiasmo.
    E, e, tudo que fizerem, ajam com grandeza. Sejam íntegros, autênticos e apaixonados, como assim sugeriu Fernando Pessoa:
    “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”.
    Finalmente, refiro-me aos olhos confiantes que lhes mencionei de início. Esses são os nossos. De todos os presentes e, de um modo muito particular, dos marinheiros, pela crença inabalável no futuro de nossa Marinha, de nosso Poder Naval, cuja renovação, hoje, é inigualavelmente exemplificada por vocês.
    Que Deus os abençoe e sempre os ajude a singrar os rumos da honra e da vitória.

MARCOS AUGUSTO LEAL DE AZEVEDO
Contra-Almirante
Comandante da Escola Naval

ESCOLA DE GUERRA NAVAL - 2011

Formatura do C-EMOS - Discurso do Orador

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    Hoje nós, oficiais-alunos da turma CEMOS-2011, estamos em Detalhe Especial para o Mar, ao fim de mais uma comissão.
    Uma comissão não tão curta, pois de fato teve início no ano passado, com a intensa rotina de estudo que a preparação para o exame de seleção nos exigiu.
    O ano de 2011 aqui na Escola não foi menos intenso. A carga de atividades acadêmicas e o extenso conteúdo do curso, muitas vezes nos privaram de um desejado convívio mais dedicado à família e até mesmo de um aprofundamento em determinados assuntos que despertaram maior interesse. Entendemos essa situação como parte do desafio de gerenciar o tempo na dita “era da informação”. Estabelecemos metas e prioridades e cumprimos nossa missão.
    A experiência de receber ensinamentos do meio empresarial, através de um centro acadêmico de reconhecida excelência – o Instituto COPPEAD – foi um evento inovador para a maioria de nós e apesar de muitas vezes termos questionado o conteúdo e a forma do curso que nos foi apresentado, temos a consciência de que seu valor é uma conclusão que somente o tempo nos fará alcançar.
    Contudo o maior aprendizado não ficou limitado às exposições em salas de aula e auditórios, mas foi desenvolvido nas pesquisas, nos debates e trabalhos, nas conversas de corredor, do cafezinho e do rancho, onde as discussões permitiram o desenvolvimento de ideias e opiniões que se somaram ao conhecimento e experiência de cada um, contribuindo para nossa maturidade profissional.
    Tão gratificante foi a oportunidade de reencontrar a maior parte da nossa turma GM-94, também alguns caros amigos da turma 93 e de outras turmas e receber nossos convidados das marinhas amigas, que com suas experiências contribuíram para estender o horizonte de nossos conhecimentos.
    É interessante perceber como ao longo desses cerca de 20 anos na Marinha, cada um de nós adquiriu uma considerável gama de conhecimentos e experiências distintos e a reunião dessa diversidade, produz um ambiente de caráter complementar que permitiu desenvolvermos uma massa crítica mais bem fundamentada.
    Sabemos que o Curso de Estado-Maior marca o início de uma nova fase em nossas carreiras e que tão importante quanto os conhecimentos que aqui adquirimos é o entendimento do contexto em que vamos ter que aplicá-los.
    Temos pela frente o desafio de liderar oficiais e praças, de gerações tão distintas, na complexa tarefa de prover o jovem Estado brasileiro de uma Marinha adequada a sua inserção num sistema internacional incerto e em constante mudança.
    Indo além, temos que pensar a Defesa Nacional de forma ampla, congregando seus aspectos civis e militares, fomentando o debate e considerando o emprego das nossas três Forças Singulares de forma conjunta, como praticamos no Centro de Jogos de Guerra desta Escola.
    E por fim, compreender que, sem descuidar do presente, não podemos mais pensar somente na “nossa” Marinha, mas temos que pensar numa Marinha do futuro; e a Marinha que vamos passar aos nossos sucessores, não será aquela que queremos ou a que achamos que devemos ter, mas sim aquela que conseguirmos convencer a sociedade brasileira, de que o Brasil precisa.
    Gostaríamos de cumprimentar nossos companheiros das marinhas da África do Sul, Argentina, Chile, Coréia do Sul, Estados Unidos da América, Índia, Namíbia, Nigéria, Peru, Uruguai e Venezuela, que tão bem representaram seus Estados e, com suas experiências engrandeceram o debate, contribuindo não só para nossa formação, mas também para o estreitamento dos laços de amizade que unem nossas marinhas.
    Também queremos deixar registrados os nossos agradecimentos a todos aqueles que nos acompanharam nesta singradura.
    A todos os nossos professores e instrutores, civis e militares, que no nobre ofício do ensino nos prestigiaram com seu conhecimento e dedicação, agradecemos na pessoa do nosso paraninfo, Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Oliveira; aos oficiais e praças da Escola de Guerra Naval que direta ou indiretamente contribuíram para o nosso desenvolvimento profissional e aos nossos familiares, amigos – pessoas queridas –, que compreendendo as exigências de nossa vocação marinheira nos apoiaram nesta importante etapa da nossa carreira.
    Neste momento a turma CEMOS-2011 faz o seu split e adota rumos práticos sob derrotas distintas, mas permanece unida nos ideais que permearam este ano acadêmico. Bons ventos, mares tranquilos. Felicidades a todos.

CARLOS MARCELO FERNANDES CONSIDERA
Orador da Turma

Formatura do C-EMOS - Discurso do Paraninfo

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   É uma honra ter sido escolhido Paraninfo da Turma C-EMOS-2011.
   Quando decidi vir para a EGN, após 36 anos na ativa, tinha como objetivo transmitir às novas gerações de Oficiais os conhecimentos adquiridos e a vibração pela carreira, sem excessos logicamente e dentro de nossa realidade. Assim, ao receber essa indicação, sinto-me plenamente gratificado por estar conseguindo atingir o meu objetivo.
   Dentro de minutos os senhores ostentarão em seus uniformes o distintivo prateado que representa o esforço despendido para alcançar o topo da famosa “rampa do conhecimento” que, a princípio, parecia ser impossível.
   Os conhecimentos aqui conquistados irão constituir-se na principal bagagem profissional que cada um possuirá, para o eficaz desempenho das futuras atividades. Eles serão valores que uma vez incorporados irão acompanhá-los pelo resto da vida.
   Agradeço sensibilizado, a distinção que me foi conferida pela Turma, o que muito me envaidece, e aproveito a oportunidade para fazer uma pequena conclusão do curso com base nos conceitos da Estratégia/Arte Operacional.
   É com muita alegria e satisfação que atingimos o Estado Final Desejado do Curso de Estado Maior para Oficiais Superiores de 2011 (C-EMOS-2011), preparando-os fundamentalmente para o planejamento e execução das operações conjuntas.
   O estudo dos Fatores Operacionais: Espaço, Tempo e Força isolados e combinados dois a dois e três a três, configurando uma estrela de sete pontas, norteou os planejamentos operacionais realizados. Dessa forma, a dimensão do Teatro de Operações, os valores intangíveis da força e a premência do inexorável fator tempo, entre outros, avaliados de per si e combinados foram discutidos com a profundidade adequada.
   As Funções Operacionais: Comando e Controle, Fogos, Logística, Inteligência e Proteção foram sempre realçadas e contribuíram de forma decisiva para o sucesso dos exercícios, assim como os Princípios e a Liderança Operacionais.
   A determinação do Centro de Gravidade, como Elemento Operacional de importância fundamental, foi discutido e analisado em várias ocasiões, e acredito que ainda será por muito tempo motivo de controvérsias e acaloradas discussões, mas tenho a convicção de que todos estarão munidos de sólidos argumentos na defesa de suas ideias.
   Todo esse desenvolvimento foi perfeitamente conjuminado na Matriz de Sincronização e no consequente Desenho Operacional, no qual a cada evolução do controle da operação planejada era avaliado no sentido do cumprimento da Missão e no atendimento ao Estado Final Desejado.
   Porém, isso só foi possível devido ao empenho e à determinação de cada um dos senhores na busca de uma solução aceitável para cada problema de guerra apresentado.
   Finalmente, acredito que o maior ensinamento dessa etapa foi a percepção de que sem o apoio incondicional da família nada seria possível. E aí identificamos o nosso Centro de Gravidade, pois é ela que nos sustenta e nos encoraja nas horas mais difíceis.
   Então, é para a nossa família que devemos direcionar o nosso verdadeiro agradecimento, a qual devemos protegê-la e defendê-la de todas as ameaças que possam vir a desbalanceá-la.
   Parabéns, muitas felicidades e sorte nos desafios futuros.

JOSÉ CLAUDIO DA COSTA OLIVEIRA
CMG (RM1-FN)
Paraninfo

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